Congresso Amigo do Povo: Sousa Júnior e Sara Goes defendem reorganização popular contra avanço da extrema direita

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Em entrevista à Folha Democrata, comunicadores da Atitude Popular afirmam que a disputa pelo Congresso Nacional será decisiva para impedir retrocessos sociais e fortalecer a soberania brasileira

Da Redação

Em entrevista concedida à transmissão da Folha Democrata neste domingo (17), o comunicador Sousa Júnior e a jornalista Sara Goes apresentaram os objetivos da campanha “Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo”, iniciativa articulada por comunicadores, intelectuais, sindicalistas e movimentos populares do Ceará. A conversa girou em torno da necessidade de reorganização política do campo progressista diante da atual composição conservadora do Congresso Nacional e do crescimento da extrema direita no país.

Durante a entrevista, Sara Goes afirmou que a proposta busca construir uma campanha nacional capaz de transformar o debate eleitoral em torno de temas concretos ligados à soberania, aos direitos sociais e ao fortalecimento da democracia. Segundo ela, a ideia é evitar que a indignação popular se transforme apenas em reação difusa ou discurso vazio.

“A ideia é fazer uma campanha mais positiva. O Congresso Inimigo do Povo movimentou as pessoas, mas a gente não pode despolitizar o assunto”, afirmou.

Sara destacou que o objetivo não é apenas denunciar parlamentares alinhados ao mercado financeiro ou à extrema direita, mas também incentivar a população a identificar candidaturas comprometidas com pautas populares em cada estado.

“Para a gente ter um Congresso amigo do povo, é preciso que os eleitores e eleitoras identifiquem aqueles e aquelas que realmente merecem compor o novo Congresso”, disse.

Ao longo da conversa, Sousa Júnior reforçou que a campanha nasce da percepção de que apenas a reeleição do Presidente Lula não seria suficiente para garantir mudanças estruturais no país caso o Congresso permaneça dominado por setores conservadores.

“Ou a gente avança reelegendo o presidente Lula, mas também exigindo mudanças profundas que ainda não foram feitas no nosso país, ou pode ser o reverso”, declarou.

Segundo Sousa, o grupo considera fundamental ampliar o debate sobre reforma agrária, democratização da comunicação e defesa das empresas públicas. Ele também alertou para o risco de fortalecimento de um governo ainda mais radicalizado caso a extrema direita retorne ao poder em 2027.

“Se o entreguista for eleito, vai ser um governo pior do que o Bolsonaro”, afirmou.

A campanha foi apresentada pelos entrevistados como uma tentativa de superar a fragmentação política do campo progressista. Para Sousa Júnior, é necessário abandonar disputas menores entre partidos e construir uma referência coletiva de apoio popular a candidaturas comprometidas com trabalhadores, direitos sociais e soberania nacional.

“Não é uma campanha só educativa. É uma campanha que visa direcionar o voto a favor daqueles que merecem e contra aqueles que não merecem estar representando o nosso povo”, explicou.

Sara Goes também criticou o que chamou de “dispersão temática” do debate político nas redes sociais e apontou que muitos parlamentares utilizam causas específicas sem enfrentar os problemas estruturais da população trabalhadora.

“Tem pautas importantes, como a causa do autismo, mas você não escuta a opinião dessas pessoas sobre pautas do trabalhador”, afirmou.

Os entrevistados relacionaram ainda o debate sobre soberania nacional ao financiamento da mídia alternativa e comunitária. Sousa Júnior defendeu que rádios comunitárias, veículos independentes e mídias periféricas passem a receber parte das verbas publicitárias do governo federal.

“É obrigação nossa exigir. É um direito nosso”, disse.

Durante a entrevista, os dois também anunciaram que a Atitude Popular está propondo aos movimentos sociais e entidades populares a construção de uma campanha nacional em defesa da soberania brasileira e de um Congresso Amigo do Povo. Segundo eles, um manifesto político está sendo redigido por um grupo de intelectuais do Ceará que vem debatendo formas de influenciar o processo eleitoral deste ano.

A proposta busca articular organizações populares, sindicatos, comunicadores independentes e lideranças sociais em torno de pautas consideradas estratégicas para o país, incluindo soberania econômica, democratização da comunicação, direitos trabalhistas e fortalecimento do Estado nacional.

Nesse contexto, Sousa Júnior e Sara Goes afirmaram que o debate sobre o fim da escala 6×1 dialoga diretamente com a campanha, sobretudo por tratar da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros e da necessidade de reorganização das prioridades econômicas do país.

Os entrevistados defenderam que a discussão eleitoral de 2026 não pode ficar restrita a disputas personalistas ou apenas a reações momentâneas nas redes sociais. Para eles, será necessário construir uma agenda popular de longo prazo capaz de disputar o Congresso Nacional e influenciar as principais decisões do país.

A identidade visual da campanha foi desenvolvida pelo artista cearense Bilitão, que também participou das discussões iniciais do projeto político. A Atitude Popular destacou anteriormente o trabalho do artista na construção estética da iniciativa, associando a comunicação visual da campanha à defesa da soberania nacional e da participação popular. A matéria sobre a criação da identidade visual pode ser acessada em Atitude Popular

A campanha “Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo” começou a ser estruturada após encontros realizados no Ceará e reúne professores universitários, sindicalistas, lideranças populares e comunicadores independentes. Entre os envolvidos estão integrantes da Atitude Popular, movimentos sociais e representantes de partidos de esquerda.

Durante a entrevista, Sara Goes também ressaltou a importância da comunicação digital na disputa política contemporânea e defendeu maior articulação entre veículos independentes para enfrentar campanhas de desinformação e ampliar o alcance de denúncias envolvendo setores da extrema direita.

“O negócio é não deixar a peteca cair em termos de falar de nomes novos, financiar os nossos espaços e ter uma atitude organizada”, afirmou.

Ao final da conversa, Sousa Júnior e Sara Goes reforçaram que a campanha pretende atuar nacionalmente ao longo do processo eleitoral de 2026, buscando influenciar a composição da Câmara dos Deputados e do Senado com candidaturas alinhadas às pautas populares e à defesa da soberania brasileira.

Os apoiadores interessados em conhecer mais detalhes da iniciativa ou assinar o manifesto podem acessar o site da campanha: Campanha Brasil Soberano e Congresso Amigo do Povo