Comissão da Câmara vai ouvir ministros sobre fim da escala 6×1 após unificação de PECs

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A comissão especial da Câmara dos Deputados criada para discutir o fim da escala 6×1 deve iniciar uma nova fase de debates com a convocação de ministros do governo federal e representantes de diferentes setores da economia. A decisão ocorre após a unificação das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da redução da jornada de trabalho no país.

O colegiado foi instalado para analisar mudanças no artigo 7º da Constituição, que atualmente estabelece jornada semanal de até 44 horas e descanso semanal preferencialmente aos domingos. As propostas em discussão defendem alterações no modelo tradicional de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, regime ainda amplamente utilizado no comércio, serviços, telemarketing, supermercados, farmácias e setores de atendimento.

Entre os convidados previstos para as audiências estão representantes dos ministérios do Trabalho e Emprego, da Fazenda, do Planejamento e da Saúde. A intenção da comissão é reunir avaliações sobre impacto econômico, produtividade, geração de empregos, saúde mental e condições de vida dos trabalhadores submetidos a jornadas extensas.

A unificação das PECs ocorreu para concentrar a tramitação em um único texto-base e evitar dispersão das propostas no Congresso. Deputados envolvidos na negociação avaliam que a estratégia pode acelerar a discussão política e facilitar a construção de um relatório comum.

O debate ganhou dimensão nacional após mobilizações nas redes sociais, atos organizados por trabalhadores e pressão de movimentos sindicais. Nos últimos meses, o tema passou a aparecer com frequência em manifestações de entregadores, operadores de caixa, atendentes, comerciários e trabalhadores de aplicativos, categorias frequentemente associadas à sobrecarga física e emocional.

O que muda entre as PECs sobre a escala 6×1

As propostas que tramitam na Câmara possuem diferenças importantes sobre jornada semanal, compensação de horas e tempo de descanso. Entre os principais pontos estão:

• Uma das PECs propõe redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.

• Outra proposta estabelece limite máximo de quatro dias de trabalho por semana, aproximando o Brasil do modelo chamado de “escala 4×3”.

• Há textos que mantêm possibilidade de compensação por acordo coletivo, desde que o trabalhador tenha mais dias consecutivos de descanso.

• Algumas PECs focam apenas na proibição da escala 6×1 em determinadas categorias consideradas mais vulneráveis ao adoecimento laboral.

• Parte dos projetos prevê transição escalonada para empresas de pequeno porte, reduzindo impacto imediato sobre contratação e folha salarial.

• Há divergências sobre horas extras: alguns textos mantêm o atual limite constitucional; outros restringem o uso contínuo de jornadas prolongadas.

• Uma das propostas inclui obrigatoriedade de estudos periódicos sobre saúde mental e impactos físicos das jornadas extensas.

• Também existe diferença sobre negociação sindical: algumas PECs fortalecem acordos coletivos; outras definem limites mínimos que não poderiam ser flexibilizados.

Dados do mercado de trabalho mostram que milhões de brasileiros ainda trabalham em jornadas próximas ao limite constitucional de 44 horas semanais. Em setores de baixa remuneração, a escala 6×1 costuma ser acompanhada por deslocamentos longos, múltiplos vínculos empregatícios e dificuldade de conciliar trabalho, descanso e convivência familiar.

Defensores da mudança argumentam que países que reduziram jornadas conseguiram elevar produtividade e diminuir índices de adoecimento laboral. Já setores empresariais demonstram preocupação com possíveis custos operacionais e impactos sobre pequenas empresas, especialmente no comércio e nos serviços.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou recentemente que pretende acelerar a discussão sobre a proposta ainda neste semestre. Parlamentares da base governista também passaram a associar o debate ao fortalecimento da economia interna e à valorização do trabalho.

A discussão sobre a escala 6×1 ocorre em paralelo ao avanço de modelos de contratação marcados por terceirização, pejotização e informalidade. Especialistas em direito do trabalho alertam que a ampliação da multifuncionalidade e da instabilidade contratual vem aumentando a pressão sobre trabalhadores de baixa renda.

Nesse contexto, a Atitude Popular está propondo aos movimentos sociais e entidades populares uma campanha nacional em defesa da Soberania Nacional e de um Congresso Amigo do Povo. Um manifesto vem sendo elaborado por um grupo de intelectuais do Ceará que discute formas de influir no processo eleitoral deste ano e fortalecer pautas ligadas aos direitos sociais e trabalhistas. Para os organizadores, o fim da escala 6×1 se conecta diretamente à luta contra a precarização do trabalho e à necessidade de reconstrução de políticas públicas voltadas à dignidade da população trabalhadora.

Assine a campanha aqui: Campanha Brasil Soberano