Colômbia reduz jornada de trabalho e registra desemprego próximo de mínima histórica

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Da Redação

A Colômbia vem chamando atenção na América Latina por combinar redução da jornada de trabalho, aumento dos salários e queda do desemprego. O país iniciou uma transição gradual da carga horária semanal de 48 para 42 horas sem redução salarial e, ao mesmo tempo, registrou um dos menores índices de desemprego de sua história recente.

A mudança faz parte de uma reforma trabalhista aprovada em 2021, que estabeleceu uma diminuição progressiva da jornada ao longo de vários anos. A meta é alcançar as 42 horas semanais até 2027, mantendo a remuneração dos trabalhadores.

Os resultados passaram a ser observados com interesse por economistas, sindicatos e especialistas em relações de trabalho porque contrariam uma das críticas mais frequentes feitas a propostas de redução da jornada: a de que menos horas trabalhadas levariam inevitavelmente à destruição de empregos.

Menos horas, mais renda

Além da redução da jornada, trabalhadores colombianos também registraram ganhos reais de renda nos últimos anos. O crescimento dos salários ocorreu em um contexto de recuperação econômica e ampliação do emprego formal em diversos setores.

Os indicadores sugerem que a diminuição das horas de trabalho não impediu a expansão do mercado de trabalho. Pelo contrário, a economia continuou gerando vagas e absorvendo trabalhadores mesmo com a implementação gradual das mudanças.

Especialistas apontam que fatores como crescimento econômico, produtividade, investimento e fortalecimento do mercado interno exercem influência muito maior sobre a geração de empregos do que a simples ampliação da carga horária dos trabalhadores.

Debate interessa ao Brasil

A experiência colombiana chega ao debate brasileiro em um momento de crescente mobilização pelo fim da escala 6×1. Movimentos sindicais e organizações de trabalhadores defendem a redução da jornada sem corte salarial como forma de melhorar a qualidade de vida e distribuir de maneira mais equilibrada os ganhos de produtividade.

Os defensores da proposta argumentam que jornadas excessivas afetam a saúde física e mental dos trabalhadores, reduzem o tempo dedicado à família, aos estudos e ao lazer e dificultam a criação de novos postos de trabalho.

Já setores empresariais costumam alertar para possíveis aumentos de custos e impactos sobre a competitividade das empresas.

Experiência latino-americana

A Colômbia não é o único país a discutir novas formas de organização do trabalho. Experiências semelhantes vêm sendo observadas em diferentes partes do mundo, incluindo países europeus que testam jornadas reduzidas sem diminuição salarial.

O caso colombiano, porém, desperta atenção especial por envolver um país latino-americano com características econômicas e sociais mais próximas das encontradas no Brasil.

Ao combinar redução gradual da jornada, valorização salarial e queda do desemprego, a experiência do país vizinho passa a integrar os argumentos de quem defende mudanças nas relações de trabalho brasileiras.

Fim da escala 6×1

O tema dialoga diretamente com a Campanha Brasil Soberano e Congresso Amigo do Povo, que apoia o fim da escala 6×1 e a ampliação dos direitos trabalhistas.

A iniciativa defende a construção de um Congresso Amigo do Povo e está elaborando um manifesto com a participação de intelectuais, sindicalistas e lideranças populares. Os interessados podem conhecer e assinar o documento em:

A experiência colombiana reforça um debate que ganha força em diversos países: a possibilidade de combinar crescimento econômico, geração de empregos e melhoria das condições de vida dos trabalhadores.