Relatos de mães trabalhadoras brasileiras têm reforçado o debate nacional sobre o impacto da escala 6×1 na vida familiar, especialmente na relação entre mulheres e seus filhos. Em diferentes regiões do país, trabalhadoras descrevem rotinas marcadas por exaustão física, ausência no convívio doméstico e dificuldade até mesmo para acompanhar momentos básicos da infância das crianças. Em muitos casos, o pouco tempo livre acaba consumido por deslocamentos longos, serviços domésticos e recuperação física.
Em reportagem publicada pelo Brasil de Fato, mulheres relataram que o fim da escala 6×1 significaria mais do que descanso: representaria a possibilidade concreta de reconstruir vínculos afetivos fragilizados pela precarização do trabalho. Uma das entrevistadas afirmou que a filha acredita que ela “não quer ficar com ela”, porque passa a maior parte do tempo fora de casa.
O tema ganhou ainda mais força após o pronunciamento do Presidente Lula no Dia do Trabalhador, em 30 de abril, quando o chefe do Executivo destacou o peso desigual da jornada sobre as mulheres brasileiras. Lula afirmou que muitas mães saem de casa antes do amanhecer e retornam tarde da noite, sem conseguir acompanhar adequadamente a vida dos filhos. O debate sobre redução da jornada e superação da escala 6×1 passou a ser incorporado por sindicatos, movimentos populares, pesquisadores do trabalho e organizações feministas como uma pauta diretamente ligada à saúde mental, ao direito ao cuidado e à reorganização da vida social.
A discussão também ocorre em meio à tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional. A PEC apresentada pela deputada federal Erika Hilton propõe o fim gradual da escala 6×1 e a redução da carga semanal máxima. O texto ainda percorre as etapas regimentais da Câmara dos Deputados antes de eventual análise pelo Senado.
Especialistas em relações de trabalho apontam que a escala 6×1 atinge especialmente mulheres negras, mães solo e trabalhadoras de setores de baixa remuneração, como comércio, telemarketing, limpeza, serviços gerais e supermercados. Nessas áreas, o direito ao descanso frequentemente se torna insuficiente até para necessidades básicas, o que amplia quadros de ansiedade, depressão, adoecimento físico e desgaste familiar.
A pauta também dialoga com uma discussão mais ampla sobre soberania nacional, democracia e representação popular. A Rádio e TV Atitude Popular vem propondo a movimentos sociais, sindicatos e entidades populares a construção de uma campanha nacional em defesa da Soberania Nacional e de um Congresso Amigo do Povo. Um manifesto está sendo elaborado por intelectuais do Ceará que discutem formas de influir no processo eleitoral deste ano e de fortalecer pautas ligadas aos direitos sociais, ao trabalho digno e à proteção da população trabalhadora brasileira.
Segundo os organizadores da iniciativa, o debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ser separado da discussão sobre o modelo de desenvolvimento defendido para o país. Para os apoiadores da campanha, jornadas exaustivas, precarização e enfraquecimento dos direitos trabalhistas também fazem parte de um cenário de perda de soberania econômica e social.
Os interessados em conhecer e assinar o manifesto podem acessar o site da campanha: Campanha Brasil Soberano

